Ao amanhecer


E ao amanhecer entraste no espaço divino,

cruzando a única fronteira que existe:

a de ti mesmo.

Como é bom estar além do tempo, além dos limites, além do aqui e agora,

saindo da seara, para o outro lado daquele espaço.

Já não sabes nada do tempo passado,

o teu olhar puro, novo, branco,

porque tens de te esquecer de tudo para te lembrares de tudo,

porque tens de mergulhar no desencampo,

não sentir, não pensar, livrar-te do corpo.

E ao amanhecer entraste no espaço divino,

cruzando a única fronteira que existe:

a de ti mesmo.

Só a abundância, só o vazio

se encontram em ti.

Saindo do desencampo,

e só o nome que tens,

o nome

novo.

Do ciclo poético: „A saudade dentro de mim”


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