
As memórias de Portugal são das poucas coisas que escolhi escrever… porque acredito que só vale a pena escrever sobre aquilo que nasce do coração. Só o que nasce assim encontra caminho até ao coração do outro. É como o início de um amor: nasce num olhar, num instante que nos ultrapassa, numa experiência para a qual faltam sempre palavras. No fundo, só vale a pena escrever sobre aquilo que já não pode — que já não quer — permanecer em silêncio. Porque todo o amor no qual se arriscou entrar, saltar de corpo inteiro sem olhar para as dificuldades e as pedras no caminho, tem a possibilidade de se tornar uma experiência grande. Tudo aquilo em que investimos tudo tem a chance de se tornar grande. Apenas isso, na verdade: o que recebe tudo de nós. Os acontecimentos mais belos da minha vida nasceram sempre da coragem de tomar a decisão final, de dizer o “sim” definitivo. Desejo a todos — e a mim mesma — essa coragem de arriscar amar o mundo. Estes parágrafos são o registo de uma experiência íntima: a entrada numa quotidianidade inundada de luz. É o gesto de partilhar o pedaço de vida que Portugal me ofereceu.
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